sábado, 4 de outubro de 2014

Chapter 54



Confrontar-se com a verdade, às vezes é uma das coisas mais dolorosas da vida

         Lily se afastou de Zac, suas mãos ainda no rosto dele e um brilho diferente no olhar. Ela sorriu, um sorriso que ele não conseguiu definir como sincero ou zombeteiro.
– Eu queria fazer uma última pergunta. – Zac não respondeu então ela foi em frente. – Você tá vendo a Vanessa em algum lugar por aqui? – o silêncio dele continuou. Lily agora sorriu sarcástica e ele tinha certeza disso, sentiu um pouco de raiva e certo vazio no peito. Ela lhe deu um rápido selinho. – Como se ela fosse aparecer aqui e te perdoar fácil assim. Sempre existe uma outra opção, Zachary.
Então ela virou as costas e saiu. Zac ficou parado encarando a maior causadora de problemas da sua vida caminhar pela rua, para longe dele.
E ele sentiu, uma parte da sua mente acreditava no que ela havia dito. Por que Vanessa aceitaria jantar e ouvir as desculpas de quem quebrou seu coração, depois de tantos anos? Se sentiu ridículo.

Demi on:

Larguei minha cabeça sobre a mesa do computador. Eu devia estar ali há pelo menos meia hora tentando fazer uma tarefa de matemática mas minha cabeça estava explodindo. Meu quarto estava silencioso, a única coisa que eu ouvia era o barulho de louças vindo da cozinha, caso Maddie acordasse no quarto ao lado eu iria escutar.
Foi a primeira noite que eu jantei com meus pais, nenhum grande evento aconteceu. Todos comemos em silêncio, eu levei Maddie para o quarto dela e meus pais ficaram de arrumar a cozinha. Assim que larguei Madison sobre a cama, logo depois de fazer ela escovar os dentes e colocar um pijama, ela caiu no sono.
Resolvi – depois da minha consciência tentar me forçar a ficar sentada naquela cadeira, de frente para o assunto menos interessante que podia existir – que eu merecia assistir pelo menos um filme. Deixei tudo jogado sobre a mesa, escolhi um filme e me sentei na cama no exato momento que o meu celular apitou. “Será que posso dormir na sua casa hoje?” Era de Vanessa. Fiquei um pouco confusa, achando estranho ela não avisar antes, mas, como não havia problema nenhum, disse que ela poderia. “Ótimo, porque já estou na sua porta.” Veio a resposta.
Peguei um casaquinho que estava sobre a maçaneta da porta e desci silenciosamente as escadas. Caminhei até a porta e a abri, revelando uma Vanessa bem vestida. Ela olhava para baixo, seus cabelos cacheados escondendo o rosto. Na sua mão, o celular.
– Van? O que aconteceu?
Ela não respondeu, apenas levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos e sua maquiagem um pouco borrada. A peguei pela mão e a puxei para dentro, fechando a porta em seguida. Mencionei com a cabeça em direção às escadas, dizendo para ela ir para o meu quarto. Fui até a cozinha e peguei um copo d’água, meus pais não falaram nada.
Vanessa tinha sentado na ponta da minha cama, suas mãos sobre o colo, mexendo com os próprios dedos inconscientemente. Lhe entreguei o copo com água e ela tomou, tentando acalmar a respiração. Me sentei ao seu lado.
– Desculpa, eu não tinha outro lugar para ir. – ela disse quase num sussurro, afastei o cabelo que estava grudado no seu rosto.
– Tudo bem. Quer me contar o que aconteceu? Porque claramente você não está bem.
Van deu um sorriso triste e passou a mão pelos cabelos, tentando ajeitá-los. Deu de ombros.
– Garotos, sempre tão insensíveis. – ela respondeu e eu a encarei confusa. – Eu ia jantar com um cara hoje. O Zachary, ele queria conversar. – abri minha boca mas nenhum som saiu. Eu estava surpresa por ela querer qualquer contato com ele. – Exatamente. Ele disse estar arrependido. Não sei como eu ainda caio nessa historinha de arrependimento. – ela riu amargamente.
– Mas... Você jantou com ele?
– Nem chegou a acontecer, Demi.
– Eu acho que você deveria trocar de roupa primeiro, então a gente conversa. Eu te empresto um pijama.
Peguei a mão de Van e a levei até a frente da minha cômoda, lhe alcançando um par de pijamas e lhe lançando um sorriso antes dela ir para o banheiro. Arrumei minha cama e depois sentei nela, com as costas apoiadas na cabeceira. Vanessa saiu do banheiro um pouco depois, cara lavada, usando meu pijama listrado com um desenho de panda e um coque feito com seu próprio cabelo. Ela parecia tão cansada.
– O panda ficou bem em você. – brinquei, tentando melhorar seu ânimo e ela sorriu fraco, vindo se sentar ao meu lado.
– Obrigada, Demi. – ela cruzou as mãos sobre o colo e eu percebi que ela não estava agradecendo só pelo pijama.
– Quer me contar o que aconteceu?
Me virei de frente para Van e ela me encarou de volta, respirou fundo e falou sobre o que tinha acontecido de manhã, sobre ter encontrado Zac no parque e sobre o pedido dele para conversar.
– Quando eu cheguei lá, eu vi ele conversando com uma garota e, Demi... Ela beijou ele. E eu sei que nós dois não temos nenhum tipo de relacionamento, mas eu não consegui ficar e ver aquilo. Eu não tinha de condições de ir pra casa e ver o Logan depois de ver o Zac desse jeito.
– Você ainda gosta dele, não é? – franzi o cenho e Van colocou as mãos no rosto, afirmando com a cabeça.
– Mesmo depois de tudo que ele fez, dele ter me abandonado e depois abandonado o Logan... Eu me sinto tão culpada por ter sentimentos por ele. – sua voz falhou no final, me aproximei dela e a abracei, beijando o topo da sua cabeça.
– Ei, Van, calma. Ninguém manda no coração.
Fiz carinho no seu braço por alguns segundos, até que ela voltou a falar.
– É tão horrível ter que envolver uma criança nisso. Eu não tenho ideia de como o Logan se sente sabendo que seus pais biológicos o abandonaram, eu não sei como eu ainda posso sequer gostar do Zachary depois de todo o sofrimento que ele causou pra minha família. Se pelo menos alguém me entendesse.
Eu não sabia o que dizer, então continuei abraçada a Van. Levantei meus olhos por alguns segundos e vi o retrato de Maddie ainda bebê sobre a minha escrivaninha. Vanessa tinha confiado em mim para conversar e tentar a ajudar, acho que talvez eu devesse começar a confiar nela também.
E eu a entendia muito bem.
– Vanessa, você sabe guardar segredos? – sussurrei, tomando coragem. Ela se afastou de mim, esfregou os olhos e me fitou, confusa. – Quero te contar uma história sobre mim, uma garotinha e um garoto.
– Quem?
– A Madison. – falei rapidamente, sabendo que se eu hesitasse provavelmente não tocaria mais no assunto. – Eu sei que não tem muito a ver, mas você tem se aproximado tanto de nós ultimamente... Acho que posso deixar você saber sobre o rolo que é a minha vida.
– Se você puder continuar, fiquei confusa. – ela sorriu de lado e eu tentei ficar mais confortável sobre a cama.
– Você falou sobre o Zac, de como ele já causou tanta dor na família e você ainda nutre sentimentos por ele. Minha mãe já causou muita dor para mim, assim como eu fiz o mesmo com ela, mas nem por isso eu a amo menos, o que não é nada racional, eu sei. Mas tem coisas que foram feitas para ser desse jeito. Não sei se você já parou pra pensar, mas dor vem com felicidade, assim como felicidade vem com dor, na maioria dos casos. Minha mãe tirou meu direito de chamar minha própria menina de minha, como eu deveria me sentir?
Lembrei de momentos nos quais minha mãe gritava comigo. Na época que ela dizia todo dia quão melhor teria sido se a Madison simplesmente não existisse e se sua ideia de a abortar tivesse dado certo e depois passava na minha frente com ela no colo. Depois as lembranças incríveis que eu tenho com Maddie e Selena, principalmente.
O sofrimento e a alegria vem em um pacote fechado, grudadinhos um ao outro.
– Demi... A Maddie é sua? – Van perguntou baixinho, absorvendo a informação.
– Concebida e gerada nesse útero, cara amiga.
Tomando cuidado para falar baixo, já que Maddie, vulgo minha filha, estava dormindo no quarto ao lado, eu contei tudo para Vanessa. Desde quando engravidei, Joe se mudando, eu vindo para Saint Augustine, minha mãe e todo o resto. Ela fazia perguntas ocasionalmente, tentando entender todas as informações que eu ia cuspindo.
Não sei que horas eram quando nós finalmente fechamos os olhos, só sei que isso aconteceu depois de muitas lágrimas e conselhos trocados.

Acordei com um pequeno corpo sobre o meu, uma mão fazendo carinho no meu cabelo. Abri os olhos e vi aquele sorriso lindo de dentes de leite que me acordava quase todos os dias.
– Oi, Demi, por que a Tia Van tá aqui?
Virei a cabeça para o lado e vi que Vanessa dormia de bruços, a cara enfiada num travesseiro. Mesmo enquanto ela dormia, pude reparar que seu rosto estava um pouco inchado da choradeira da noite anterior. Virei a cabeça para o outro lado e vi que eram oito e meia da manhã. Por que diabos Madison já estava de pé?
Fiz sinal de silêncio para ela, que assentiu e deixou que eu a pegasse no colo e saísse do quarto. Van poderia dormir mais um pouco.
– O papai e a mamãe deixaram o café da manhã pronto. – apontou em direção à cozinha quando eu desci as escadas. – Eles acabaram de sair, papai pediu para eu te acordar porque eles saíram e eu ia ficar sozinha. – ela falou rápido, atropelando algumas letras no meio do caminho e fazendo bico.
– Tudo bem, meu amor. Ele disse para onde foram?
Maddie mexeu a cabeça negando e eu a coloquei sentada na sua cadeirinha na mesa da cozinha. Logo Vanessa apareceu na porta e deu um beijo da testa de Maddie. Sendo o mais positiva que eu poderia no momento, diria que a cara dela não era a melhor e estava longe disso. Péssima, na verdade, como se não tivesse dormido por dias.
Quando ela olhou para mim, eu sorri fraco, ela se aproximou e me deu um abraço, agradecendo novamente por ontem. Apenas sorri como resposta e nos sentamos, comecei a arrumar um prato para Madison, que estava ao meu lado, quando ela falou.
– Por que você dormiu aqui ontem, Tia?
Van levantou o olhar da sua torrada e encarou Maddie. Imagino como deve ser estranho olhar para ela agora e ver ela como minha filha e não irmã. Aliás, ela me prometeu que não deixaria nada sobre isso escapar perto de Madison ou de mais ninguém além de Selena e eu mesma.
– Hum, eu não estava me sentindo muito bem, então achei que pudesse vir aqui. – ela sorriu levemente. O rostinho de Maddie mudou de uma expressão curiosa para preocupada.
– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, as sobrancelhas se unindo e os olhinhos um pouco arregalados. Sorri com a ingenuidade e carinho dela por outras pessoas.
– Nada com o que se preocupar, tá tudo bem agora.
– Se você tiver machucada, a Demi pode te ajudar. Quando eu me machuco, ela dá um beijinho e a dor some, parece mágica! – ela arregalou mais ainda os olhinhos. Vanessa sorriu para mim e eu beijei a bochecha de Maddie.
Van passou mais algum tempo com a gente, conversando na mesa. Depois ela disse que tinha que ir embora, porque Logan sentiria sua falta e, por mais que seus pais estivessem em casa, era seu dia de preparar o almoço. Emprestei uma roupa para que ela não tivesse que voltar para casa com o vestido que tinha usado antes e ela foi embora a pé, recusando que eu a levasse de carro, alegando que sua casa era “logo ali”.



Meu Deus! Alguém ainda lê isto aqui? Se sim por favor, se manifeste. 
Tudo bem com vocês? Eu to bem. 
A verdade é que eu e a Duda ficamos esperando completar 7 comentários (sim, durante esse tempo tooooodo, pois somos seres de esperança) e até agora nada ):
Mas vim aqui postar antes que vocês desistam de verdade de nós, e venho com a triste (ou talvez feliz, sei la) notícia de que estamos planejando terminar a Together um pouquinho mais rápido por motivos de que não sabemos muito bem o que fazer com ela. Têm 3 anos que escrevemos e acho que a fic se perdeu um pouco do que nós queríamos fazer. Tanto pelo tempo e também porque nesses últimos anos a gente acabou amadurecendo na forma de escrita e fica até um pouco dificil acompanhar o estilo que escrevíamos lá nos primeiros capítulos. 
Espero que gostem, viu? Comentários
Beijos <3
Polly