quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Chapter 55


“Pense em quanto amor vem sendo desperdiçado”

Demi

             Depois da conversa com Vanessa era como se eu mesma tivesse mexido em todos os bandaids que eu tinha colocado na ferida.  A culpa que eu sentia por toda aquela mentira me acertou em cheio e eu queria deitar e chorar novamente.  Talvez tivesse feito isso mesmo, se Maddie não estivesse sentada do meu lado na mesa terminando de tomar seu suco.
A vontade era de correr até a casa de Joe e dizer pra ele que eu ainda o amava com todas minhas forças e que tínhamos uma filha juntos.  A nossa Maddie.
Mas eu sabia que não podia. E eu não iria estragar tudo porque não aguentava guardar o segredo, que no fim era mais culpa minha do que de qualquer outra pessoa.      
— Demi? — Maddie me chamou e eu olhei-a. Ela encarava o restante do suco que tinha em seu copinho e parecia concentrada naquilo. — Eu estava pensando numa coisa. — ela me olhou.
— Posso saber no que estava pensando? — ela assentiu. Sorri fraco pra ela como quem pedia pra continuar.
— Você não acha que eu já posso ter uma biciquéta? — acabei rindo com o erro e ela fechou o rosto me fazendo voltar ao normal.
— Opa, desculpa. — ela me deu língua — Mas porque a mocinha quer uma bicicleta? — bati o dedo de leve na ponta do nariz dela.
— Para andar, ué. — revirou os olhos. Levantei a sobrancelha esperando a resposta esperada. — Não sei, eu queria ter uma. Você pode me ensinar a andar, ou, então, a tia Sel... — “Ou o Joe” pensei. — Ou o JJ, né? — completou e, pela sua feição, ele foi sua primeira opção desde o começo.
— A gente pode pensar nisso. Mas você vai ter que usar a de rodinhas primeiro, tá? — ela abriu a boca parecendo indignada. — Todo mundo já usou com rodinhas, Maddie.
— Até você? — assenti — A tia Sel e o JJ também?
— A Tia Sel e o Joe também. — mexi no cabelo dela tentando arrumar uns fios que estavam para o alto. — E olha que a Selena demorou bastante para aprender. Se for olhar muito bem, ela não sabe fazer isso até hoje. — Maddie gargalhou jogando a cabeça pra trás e eu apenas sorri olhando-a.


Vanessa

Por que a gente simplesmente não se apaixona por quem nós queremos? Por que isso simplesmente não some quando você não quer mais saber da pessoa?
A dor era tanta em meu peito que eu poderia a comparar a um pedaço de papel pegando fogo lentamente.  Eu já tinha o coração quebrado e com o tempo eu tentei juntar os pedaços. Eu juro que tentei. E estava conseguindo viver deste jeito até ele voltar.
Eu sempre iria me perguntar por que e para que ele voltou. Eu não conseguia mais acreditar que era por minha causa, ou até por Logan.
Não posso dizer que não sei por que tinha ido até aquela lanchonete, porque eu sabia. Eu fui lá pelo simples fato de querer ouvir alguma coisa da boca dele. Mesmo que fosse mentira. Eu só não queria ter que aguentar aquilo sem Zac ter me dito alguma coisa. Eu acreditei fielmente que poderia seguir mesmo com uma desculpa qualquer dele.
Mas ver ele com outra menina foi como voltar a sete anos atrás. Lembrar-me das malditas lembranças que eu demorei tanto para conseguir soterrar e que, na hora em que vi a cena, vieram juntas e pareciam me socar por todos os lados.
Da primeira vez que nos falamos. Do nosso primeiro beijo.  De quando fugíamos para aquela porcaria de lanchonete nas aulas vagas. De quando Ashley me disse que tinha o visto com Lily. De todo o tempo que eles ficaram juntos, até quando Lily me contou que estava grávida, pedindo desculpas e tudo mais. Quando ela sumiu de casa e deixou uma carta me pedindo pra cuidar de Logan como se fosse meu. Porque essa era a verdade.
Entrei em casa em silêncio e agradeci imensamente por não ter encontrado com meus pais no caminho até o quarto de Logan. Abri a porta de leve e, para quem só queria ter certeza de que ele estava dormindo, acabei me sentando na ponta de sua cama e mexendo em seus cabelos. Ele era a cópia perfeita de Zac. Sem tirar nem pôr. A única coisa que tinha de nossa família era os cabelos que eram castanhos, mesmo assim puxados para o dourado lembrando os do pai.
Saí do quarto de Logan, caminhando em silêncio até o meu. Encostei a porta, joguei a bolsa que estava com minha roupa da noite passada em qualquer canto e fui até o banheiro tomando um banho rápido.  Joguei-me na cama e fechei os olhos, tentando pegar no sono e esquecer pelo menos um pouco a noite anterior.
               

Demi

Eram quase 11 horas e meus pais ainda não tinham voltado de seja lá onde que eles tivessem ido.  Estava sentada no tapete da sala, Maddie tinha acabado de sair do banho e eu repartia o cabelo dela em dois.
Não vou mentir dizendo que estava a fim de ir pra cozinha, mas também não queria muito sair para comer. Mas minha digníssima filha tinha do nada lembrado da lanchonete de nossa prima e fazia mesmo algum tempo que eu não falava com a Tiffany ou a via.
Depois de terminar de pentear o cabelo de Madison, e a ajudar com os sapatinhos cor de rosa, terminei de pentear o meu e peguei uma bolsa qualquer jogando coisas que eu talvez fosse precisar.
Peguei Maddie no colo depois de trancar a porta e segui até o carro, mas a mesma bateu pé dizendo querer ir andando.
— Mas é um bom pedaço, Madison. Você não vai aguentar andar. — ela me deu língua e eu a coloquei no chão.
— Deixa de ser preguiçosa, Demi. Nem é tão longe assim. — foi andando até a calçada na minha frente.
— Preguiçosa? Você acha que é perto porque só vai até lá de carro. Ou no colo. — ela revirou os olhos.
— Eu vou andando e não vou reclamar. — arrumou a bolsinha, que combinava com o sapato, ao lado do corpo.
— Quero só ver. — encontrei com ela na frente de casa e estiquei a mão para Madison que logo a segurou.
Quando viramos a esquina da lanchonete, Maddie já não saltitava mais pelo cansaço, porém não reclamou como havia prometido.  O tempo estava claro, sem chuvas, mas também não estava muito quente. Assim que entramos no estabelecimento, me deparei com a lembrança de que aquele lugar era também de Sterling. Quis virar as costas e sair, porém eu tinha que superar um pouco aquilo, né? Ele mesmo não me perturbava quanto antes.
Caminhei com Maddie até uma mesa num canto afastado e logo uma menina morena e magrinha veio nos atender. Tiffany, que estava um pouco afastada, depois de nos notar ali, correu até nós e dispensou a menina, que sorriu carinhosa e foi atender outra mesa.
Levantei-me, a abracei e logo reconheci o perfume de morango. Os cabelos loiros pareciam um pouco mais longos e os olhos estavam cinza. Assim que sentei, vi minha filha ficar em pé na cadeira pra abraçar Tiffany e ri quando ela bateu de leve no nariz dela, que riu.
— Então lembraram que têm uma prima que mora na mesma cidade? — ela sorriu enquanto eu colocava Madison sentada de novo.
— Tá tudo tão corrido, Tiff. Confesso que se não fosse pela Maddie nós não iríamos sair de casa hoje. — Vi Madison concordar e pegar o cardápio que estava na mesa como quem sabia ler. 
— Imagino. Como estão seus pais? — ela sorriu fraco. Devolvi um sorriso doloroso e ela entendeu. — Hum, então, o que vão querer? — olhou pra Maddie que apontou para um lanche qualquer, só pelo brinquedo.
— Pode trazer dois desses. — Tiff assentiu anotando.
— Vem comigo escolher os brindes, Maddie? — concordei com a cabeça e ajeitei o cabelo dela, o colocando atrás da orelha. Ajudei Maddie a descer e ela deu a mão a Tiff, indo até o balcão escolher o lanche que queria.
Peguei o celular em minha bolsa, me certificando de que tínhamos tempo de lanchar sem pressa até meus pais chegarem em casa e notei uma mensagem de Selena, pedindo para passar na casa dela depois. Respondi que estava lanchando com Maddie e que assim que terminássemos iriamos direto para a casa dela.
Procurei de novo Maddie e a vi atrás do balcão com Tiff, que explicava alguma coisa pra ela sobre os refrigerantes. Sorri para Maddie que acenou rápido quando me viu e logo voltou a atenção para Tiff.
Depois de trocar algumas mensagens com Selena, Madison voltou a nossa mesa e lanchamos tranquilas. Ela me disse que Tiffany tinha a deixado mexer na máquina de refrigerantes e que queria uma daquelas para ela.
Roubei uma batata do seu lanche e ela riu pegando outra do meu. Parei de rir quando notei a figura conhecida do outro lado. Sterling tinha roupas escuras, o que o destacava um pouco do ambiente que era meio alegre de mais.
Eu não deveria estranhar, já que a lanchonete era da família dele. O grande problema é que ele encarava a nossa mesa de um jeito um tanto ameaçador e, por mais que eu negasse, eu acabei ficando um pouco assustada. Ele não seria capaz de fazer nada comigo ou Madison. Eu esperava que não.
— O que foi, Dem? — Maddie perguntou me fazendo a olhar. Neguei e tentei sorrir de novo. Ela virou o corpinho na direção de Sterling e voltou a olhar pra mim. — Ai, esquece esse bobo. — ela revirou os olhos voltando a mexer no lanche. — Ele não vai deixar a gente em paz nunca? — perguntou realmente chateada.
— Ele já deixou a gente em paz, Mad. — disse, mas na verdade eu queria acreditar naquilo.
— To vendo. — disse — Eu to com medo dele, Dem. — fez bico.
— Não precisa, ele não é maluco para encostar em você. Ok? — ela assentiu.
— Liga para o JJ buscar a gente?
— Perturbar o Joe por isso, Maddie? – ela fez bico.
— Vai que ele está por aqui por perto. — deu de ombros e riu. Algo me dizia que aquilo tinha sido um tipo de armação criado pela minha filha de três anos e eu cai como uma patinha. Mandei mensagem para Joe, e adivinha? Ele estava mesmo numa loja de instrumentos ali por perto. Não demorou muito e ele entrou na lanchonete, com uma capa de violão nas costas, calças jeans e camiseta xadrez. Acabei deixando um sorriso escapar por meus lábios e me peguei pensando no Joe de quatro anos atrás. Ele parou na porta parecendo procurar alguma coisa e parou o olhar em mim e Maddie. Sorriu quando nos viu e no meio do caminho foi interrompido por Madison o abraçando pelo joelho. Joe abaixou, a pegando com a mão livre, e continuou até nossa mesa. Sentou-se na cadeira onde Maddie estava e pôs o violão encostado no chão. A pequena continuou em seu colo.
— Como sabiam que eu estava aqui? — apontei pra Madison com o queixo e ela riu.
— Come batatinha, come. — ela disse rindo enquanto enfiava uma batata na boca de Joe, que não teve tempo nem de pensar.
— Você é terrível, Madison. — disse depois de comer o lanche que foi obrigado.
— Isso é bom? — levantou a sobrancelha. Joe fez careta.
— Eu não sei. Pergunta para Demi, ela te conhece há mais tempo que eu. — E põe tempo nisso, meu caro.  Antes mesmo dela vir ao mundo.
— Ela vai começar a rir da minha cara porque eu não sei o que é isso. — deu de ombros e Joe olhou pra mim sorrindo. — JJ, você tem que ver os brindes que eu ganhei hoje no lanchinho.  — ela pulou do colo dele e veio até mim, pedindo minha bolsa. Virei para ela, que abriu e pegou os brinquedos que tinha ganhado.
— Você não vai querer pedir nada? — perguntei a ele que negou. Madison pediu colo de novo para Joe.
— Meu estômago não está muito bom hoje. — fez careta e eu assenti. Madison o olhou assustada. — Nada sério, Mad. Só comi alguma coisa que me fez mal. — ela assentiu quieta.  — Então, resolveram sair para comer fora hoje? — ele brincou com o cabelo de Madison que estava soltando da maria chiquinha.
— Isso se chama preguiça de ir para cozinha. — ri e ele me acompanhou.
— Seus pais não estavam em casa? — neguei. — Sua mãe, como ela está? Já saiu da clínica, não é? — assenti.
— Ela parece bem, Joe. Sempre parece bem quando sai. O problema é nas semanas seguintes. — ele concordou.
— Ela teve alguma crise? — neguei e expliquei que no máximo só liberava algumas piadinhas de mau gosto — piadas essas que ele não precisava saber que eram sempre sobre o nosso namoro e o que resultou dele, que no caso seria Madison — e que depois da tentativa de me enforcar na cozinha, há algum tempo atrás, não houve mais agressões físicas.
— JJ, sabe o que eu queria? — Madison falou depois de tirar um pouco a concentração na tentativa de abrir o brinquedo. Peguei o plástico de sua mão o abrindo. Joe a perguntou o que era. — Aquela sua macarronada. — ela arregalou os olhos enquanto segurava o rosto dele pelas mãos — É a melhor coisa que eu já comi na vida.
— E nossa, que vida longa, hein, Madison. — revirei os olhos e Joe riu.
– Não sabia que gostava tanto. Senão já teria convidado vocês para jantar lá em casa. Eu vivo fazendo para comer com o papai e com o Nick. — Coloquei os brinquedos no centro da mesa, mas Madison não parecia estar muito preocupada com eles agora.
— Eu posso morar com você? — ela se virou para mim — Posso, Demi? — olhei para Joe sem jeito.
— Acho que o Joe não ia te aguentar um dia. — ela cruzou os braços emburrada. — Hey, não faz essa cara.
— Mas poxa, me deixa ficar com o JJ. — fez bico.
— E você vai deixar a Dem morando sozinha? — Joe armou a cara de assustado e ela rapidamente negou com o rosto. — Ah, sim. Pensei que tinha entendido errado. — ele fingiu estar aliviado.
— A gente podia morar todo mundo numa casa só, né? Eu, você, a Dem, a tia Sel, Nick também. Todo mundo na verdade. — ela disse.
— Imagina que loucura isso iria ser, né? — rimos os três. Fomos os três até o caixa, enquanto eu carregava o violão de Joe, ele vinha com Maddie no colo. Paguei Tiff que cumprimentou Joe com um sorriso educado. Tentei não dar muita bola para Sterling nos encarando, mas foi quase impossível. Nem Joe nem Madison perceberam e continuaram bem felizes brincando um com o outro.
A verdade era que ver os dois juntos me deixava triste e feliz. Eu queria sorrir, por saber que, mesmo sem saber, Joe como pai não tinha perdido uma época tão especial na vida de Maddie. Mas ao mesmo tempo queria chorar por saber o quanto era errado não contar a eles a verdade. Eu imaginava como ele ficaria descobrindo que era pai aos 18 anos. Eu tinha descoberto de uma forma um tanto quanto traumática, mas eu pelo menos soube desde o inicio. Eu não conseguia imaginar qual seria a reação de Joe. Mas sabia que um dia ele teria que saber. E que talvez esse dia não estivesse tão longe assim.

Ei, pessoal!!! Duda aqui.
Adorei todo mundo comentando, estamos felizes em saber que vocês ainda leem o blog e gostam da história (:
Não tenho muito o que dizer hoje, só que espero que gostem do capítulo e comentem muito porque isso deixa a gente feliz <3
Se cuidem, pessoal.
Abraços,
Duda

sábado, 4 de outubro de 2014

Chapter 54



Confrontar-se com a verdade, às vezes é uma das coisas mais dolorosas da vida

         Lily se afastou de Zac, suas mãos ainda no rosto dele e um brilho diferente no olhar. Ela sorriu, um sorriso que ele não conseguiu definir como sincero ou zombeteiro.
– Eu queria fazer uma última pergunta. – Zac não respondeu então ela foi em frente. – Você tá vendo a Vanessa em algum lugar por aqui? – o silêncio dele continuou. Lily agora sorriu sarcástica e ele tinha certeza disso, sentiu um pouco de raiva e certo vazio no peito. Ela lhe deu um rápido selinho. – Como se ela fosse aparecer aqui e te perdoar fácil assim. Sempre existe uma outra opção, Zachary.
Então ela virou as costas e saiu. Zac ficou parado encarando a maior causadora de problemas da sua vida caminhar pela rua, para longe dele.
E ele sentiu, uma parte da sua mente acreditava no que ela havia dito. Por que Vanessa aceitaria jantar e ouvir as desculpas de quem quebrou seu coração, depois de tantos anos? Se sentiu ridículo.

Demi on:

Larguei minha cabeça sobre a mesa do computador. Eu devia estar ali há pelo menos meia hora tentando fazer uma tarefa de matemática mas minha cabeça estava explodindo. Meu quarto estava silencioso, a única coisa que eu ouvia era o barulho de louças vindo da cozinha, caso Maddie acordasse no quarto ao lado eu iria escutar.
Foi a primeira noite que eu jantei com meus pais, nenhum grande evento aconteceu. Todos comemos em silêncio, eu levei Maddie para o quarto dela e meus pais ficaram de arrumar a cozinha. Assim que larguei Madison sobre a cama, logo depois de fazer ela escovar os dentes e colocar um pijama, ela caiu no sono.
Resolvi – depois da minha consciência tentar me forçar a ficar sentada naquela cadeira, de frente para o assunto menos interessante que podia existir – que eu merecia assistir pelo menos um filme. Deixei tudo jogado sobre a mesa, escolhi um filme e me sentei na cama no exato momento que o meu celular apitou. “Será que posso dormir na sua casa hoje?” Era de Vanessa. Fiquei um pouco confusa, achando estranho ela não avisar antes, mas, como não havia problema nenhum, disse que ela poderia. “Ótimo, porque já estou na sua porta.” Veio a resposta.
Peguei um casaquinho que estava sobre a maçaneta da porta e desci silenciosamente as escadas. Caminhei até a porta e a abri, revelando uma Vanessa bem vestida. Ela olhava para baixo, seus cabelos cacheados escondendo o rosto. Na sua mão, o celular.
– Van? O que aconteceu?
Ela não respondeu, apenas levantou a cabeça. Seus olhos estavam vermelhos e sua maquiagem um pouco borrada. A peguei pela mão e a puxei para dentro, fechando a porta em seguida. Mencionei com a cabeça em direção às escadas, dizendo para ela ir para o meu quarto. Fui até a cozinha e peguei um copo d’água, meus pais não falaram nada.
Vanessa tinha sentado na ponta da minha cama, suas mãos sobre o colo, mexendo com os próprios dedos inconscientemente. Lhe entreguei o copo com água e ela tomou, tentando acalmar a respiração. Me sentei ao seu lado.
– Desculpa, eu não tinha outro lugar para ir. – ela disse quase num sussurro, afastei o cabelo que estava grudado no seu rosto.
– Tudo bem. Quer me contar o que aconteceu? Porque claramente você não está bem.
Van deu um sorriso triste e passou a mão pelos cabelos, tentando ajeitá-los. Deu de ombros.
– Garotos, sempre tão insensíveis. – ela respondeu e eu a encarei confusa. – Eu ia jantar com um cara hoje. O Zachary, ele queria conversar. – abri minha boca mas nenhum som saiu. Eu estava surpresa por ela querer qualquer contato com ele. – Exatamente. Ele disse estar arrependido. Não sei como eu ainda caio nessa historinha de arrependimento. – ela riu amargamente.
– Mas... Você jantou com ele?
– Nem chegou a acontecer, Demi.
– Eu acho que você deveria trocar de roupa primeiro, então a gente conversa. Eu te empresto um pijama.
Peguei a mão de Van e a levei até a frente da minha cômoda, lhe alcançando um par de pijamas e lhe lançando um sorriso antes dela ir para o banheiro. Arrumei minha cama e depois sentei nela, com as costas apoiadas na cabeceira. Vanessa saiu do banheiro um pouco depois, cara lavada, usando meu pijama listrado com um desenho de panda e um coque feito com seu próprio cabelo. Ela parecia tão cansada.
– O panda ficou bem em você. – brinquei, tentando melhorar seu ânimo e ela sorriu fraco, vindo se sentar ao meu lado.
– Obrigada, Demi. – ela cruzou as mãos sobre o colo e eu percebi que ela não estava agradecendo só pelo pijama.
– Quer me contar o que aconteceu?
Me virei de frente para Van e ela me encarou de volta, respirou fundo e falou sobre o que tinha acontecido de manhã, sobre ter encontrado Zac no parque e sobre o pedido dele para conversar.
– Quando eu cheguei lá, eu vi ele conversando com uma garota e, Demi... Ela beijou ele. E eu sei que nós dois não temos nenhum tipo de relacionamento, mas eu não consegui ficar e ver aquilo. Eu não tinha de condições de ir pra casa e ver o Logan depois de ver o Zac desse jeito.
– Você ainda gosta dele, não é? – franzi o cenho e Van colocou as mãos no rosto, afirmando com a cabeça.
– Mesmo depois de tudo que ele fez, dele ter me abandonado e depois abandonado o Logan... Eu me sinto tão culpada por ter sentimentos por ele. – sua voz falhou no final, me aproximei dela e a abracei, beijando o topo da sua cabeça.
– Ei, Van, calma. Ninguém manda no coração.
Fiz carinho no seu braço por alguns segundos, até que ela voltou a falar.
– É tão horrível ter que envolver uma criança nisso. Eu não tenho ideia de como o Logan se sente sabendo que seus pais biológicos o abandonaram, eu não sei como eu ainda posso sequer gostar do Zachary depois de todo o sofrimento que ele causou pra minha família. Se pelo menos alguém me entendesse.
Eu não sabia o que dizer, então continuei abraçada a Van. Levantei meus olhos por alguns segundos e vi o retrato de Maddie ainda bebê sobre a minha escrivaninha. Vanessa tinha confiado em mim para conversar e tentar a ajudar, acho que talvez eu devesse começar a confiar nela também.
E eu a entendia muito bem.
– Vanessa, você sabe guardar segredos? – sussurrei, tomando coragem. Ela se afastou de mim, esfregou os olhos e me fitou, confusa. – Quero te contar uma história sobre mim, uma garotinha e um garoto.
– Quem?
– A Madison. – falei rapidamente, sabendo que se eu hesitasse provavelmente não tocaria mais no assunto. – Eu sei que não tem muito a ver, mas você tem se aproximado tanto de nós ultimamente... Acho que posso deixar você saber sobre o rolo que é a minha vida.
– Se você puder continuar, fiquei confusa. – ela sorriu de lado e eu tentei ficar mais confortável sobre a cama.
– Você falou sobre o Zac, de como ele já causou tanta dor na família e você ainda nutre sentimentos por ele. Minha mãe já causou muita dor para mim, assim como eu fiz o mesmo com ela, mas nem por isso eu a amo menos, o que não é nada racional, eu sei. Mas tem coisas que foram feitas para ser desse jeito. Não sei se você já parou pra pensar, mas dor vem com felicidade, assim como felicidade vem com dor, na maioria dos casos. Minha mãe tirou meu direito de chamar minha própria menina de minha, como eu deveria me sentir?
Lembrei de momentos nos quais minha mãe gritava comigo. Na época que ela dizia todo dia quão melhor teria sido se a Madison simplesmente não existisse e se sua ideia de a abortar tivesse dado certo e depois passava na minha frente com ela no colo. Depois as lembranças incríveis que eu tenho com Maddie e Selena, principalmente.
O sofrimento e a alegria vem em um pacote fechado, grudadinhos um ao outro.
– Demi... A Maddie é sua? – Van perguntou baixinho, absorvendo a informação.
– Concebida e gerada nesse útero, cara amiga.
Tomando cuidado para falar baixo, já que Maddie, vulgo minha filha, estava dormindo no quarto ao lado, eu contei tudo para Vanessa. Desde quando engravidei, Joe se mudando, eu vindo para Saint Augustine, minha mãe e todo o resto. Ela fazia perguntas ocasionalmente, tentando entender todas as informações que eu ia cuspindo.
Não sei que horas eram quando nós finalmente fechamos os olhos, só sei que isso aconteceu depois de muitas lágrimas e conselhos trocados.

Acordei com um pequeno corpo sobre o meu, uma mão fazendo carinho no meu cabelo. Abri os olhos e vi aquele sorriso lindo de dentes de leite que me acordava quase todos os dias.
– Oi, Demi, por que a Tia Van tá aqui?
Virei a cabeça para o lado e vi que Vanessa dormia de bruços, a cara enfiada num travesseiro. Mesmo enquanto ela dormia, pude reparar que seu rosto estava um pouco inchado da choradeira da noite anterior. Virei a cabeça para o outro lado e vi que eram oito e meia da manhã. Por que diabos Madison já estava de pé?
Fiz sinal de silêncio para ela, que assentiu e deixou que eu a pegasse no colo e saísse do quarto. Van poderia dormir mais um pouco.
– O papai e a mamãe deixaram o café da manhã pronto. – apontou em direção à cozinha quando eu desci as escadas. – Eles acabaram de sair, papai pediu para eu te acordar porque eles saíram e eu ia ficar sozinha. – ela falou rápido, atropelando algumas letras no meio do caminho e fazendo bico.
– Tudo bem, meu amor. Ele disse para onde foram?
Maddie mexeu a cabeça negando e eu a coloquei sentada na sua cadeirinha na mesa da cozinha. Logo Vanessa apareceu na porta e deu um beijo da testa de Maddie. Sendo o mais positiva que eu poderia no momento, diria que a cara dela não era a melhor e estava longe disso. Péssima, na verdade, como se não tivesse dormido por dias.
Quando ela olhou para mim, eu sorri fraco, ela se aproximou e me deu um abraço, agradecendo novamente por ontem. Apenas sorri como resposta e nos sentamos, comecei a arrumar um prato para Madison, que estava ao meu lado, quando ela falou.
– Por que você dormiu aqui ontem, Tia?
Van levantou o olhar da sua torrada e encarou Maddie. Imagino como deve ser estranho olhar para ela agora e ver ela como minha filha e não irmã. Aliás, ela me prometeu que não deixaria nada sobre isso escapar perto de Madison ou de mais ninguém além de Selena e eu mesma.
– Hum, eu não estava me sentindo muito bem, então achei que pudesse vir aqui. – ela sorriu levemente. O rostinho de Maddie mudou de uma expressão curiosa para preocupada.
– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou, as sobrancelhas se unindo e os olhinhos um pouco arregalados. Sorri com a ingenuidade e carinho dela por outras pessoas.
– Nada com o que se preocupar, tá tudo bem agora.
– Se você tiver machucada, a Demi pode te ajudar. Quando eu me machuco, ela dá um beijinho e a dor some, parece mágica! – ela arregalou mais ainda os olhinhos. Vanessa sorriu para mim e eu beijei a bochecha de Maddie.
Van passou mais algum tempo com a gente, conversando na mesa. Depois ela disse que tinha que ir embora, porque Logan sentiria sua falta e, por mais que seus pais estivessem em casa, era seu dia de preparar o almoço. Emprestei uma roupa para que ela não tivesse que voltar para casa com o vestido que tinha usado antes e ela foi embora a pé, recusando que eu a levasse de carro, alegando que sua casa era “logo ali”.



Meu Deus! Alguém ainda lê isto aqui? Se sim por favor, se manifeste. 
Tudo bem com vocês? Eu to bem. 
A verdade é que eu e a Duda ficamos esperando completar 7 comentários (sim, durante esse tempo tooooodo, pois somos seres de esperança) e até agora nada ):
Mas vim aqui postar antes que vocês desistam de verdade de nós, e venho com a triste (ou talvez feliz, sei la) notícia de que estamos planejando terminar a Together um pouquinho mais rápido por motivos de que não sabemos muito bem o que fazer com ela. Têm 3 anos que escrevemos e acho que a fic se perdeu um pouco do que nós queríamos fazer. Tanto pelo tempo e também porque nesses últimos anos a gente acabou amadurecendo na forma de escrita e fica até um pouco dificil acompanhar o estilo que escrevíamos lá nos primeiros capítulos. 
Espero que gostem, viu? Comentários
Beijos <3
Polly

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Chapter 53

 
Tão fácil perceber que a sorte escolheu você e você, cego, nem nota.

Acho que um dos momentos mais complicados do ser humano é quando o cérebro entra em conflito com o coração. Quando a razão entra em combate com o sentimento. Você sabe que o pensar é o certo. Mas o sentir é mais forte em todos em sentidos.
Enquanto estava sozinha, e pensava sobre a situação, Van sabia exatamente o que fazer. Mas era só ver Logan ou Zac, que tudo ia por água a baixo.  Logan a fazia sentir o amor. Zac a raiva. E ela tinha medo de que aquilo pudesse de alguma forma mudar. Não com Logan. Mas com o pai dele.
Quando chegaram à casa, seus pais já tinham voltado do mercado. Logan correu até o avô e não demorou muito e os dois estavam brincando de luta no meio da sala. Van sorriu para o pai e foi para seu quarto. Não tinha visto a mãe, mas também não queria a procurar. Ela provavelmente a encheria de perguntas e aquilo era a última coisa de que ela precisava.
Mas não poderia voltar atrás: já tinha aceitado o convite para o tal encontro com Zac. Era meio óbvio que ele não queria só conversar, e ela tinha medo do que poderia acontecer. Não da parte dele, e sim dela. Vanessa tinha o pequeno grande defeito de se deixar levar por sentimentos, e aquilo poderia ser julgado como algo de família.
Jogou-se em sua cama e ficou ali por um bom tempo. Ela era a típica adolescente que teve que crescer rápido demais. Que por parte gostava daquilo, mas em outras sentia o mundo em suas costas. Tinha prometido a si mesma que não pensaria mais sobre o assunto até a hora em que tivesse que olhar para a cara de Zac e ele dissesse exatamente o que achava daquilo.
Mas logo se pegou pensando em como as coisas estariam se a vida tivesse tomado outro rumo. Em como ela e Zac estariam caso a irmã não se metesse na relação deles. Talvez ela ainda estivesse em casa. Ou, mesmo que isso acontecesse, em como estariam Logan, Zac e Lily. Mas de nenhum jeito conseguia se imaginar sem Logan. Ele era seu sobrinho, irmão, filho.

Lily já se encontrava jogada no sofá da casa de Zac, enquanto ele mesmo não tinha dado as caras por ali. Ela tinha que aceitar, que agora a vida dela era daquele jeito. O único cara que ela acreditava já ter amado, de algum jeito era da irmã. O filho em que teve com ele, também era agora da irmã. E até os pais, que um dia já a tiveram como a filha favorita, provavelmente também se consideravam somente de Vanessa. Essa era a verdade. Bruta, crua e real. Mas a verdade.
Lily passou toda a vida, querendo que Vanessa a admirasse.
De um jeito torto, do seu jeito, mas queria que a irmã mais nova gostasse dela.
Mas isso nunca tinha acontecido.
Porque era para Lily admirar Vanessa. E aquilo estava começando a acontecer.
E logo quem é admirado, é alvo de inveja. Ela não queria aceitar, mas era aquilo que estava começando a fluir. E onde já se viu Lily? Sentir inveja da Vanessa. Logo da Vanessa.

Selena apareceu na porta da cozinha, ainda de pijama e pantufas. A mãe encontrava-se sentada em uma das quatro cadeiras da mesa quadrada, e encarava o jornal na sua frente.
— Bom dia — Selena disse, bocejando antes de andar até a geladeira olhando o que tinha lá dentro.
— Bom dia — Mandy respondeu tirando os olhos do jornal por alguns segundos — Você dormiu bastante.
— Passei a noite em claro — fechou a geladeira, indo até a mesa e enchendo um copo de leite. — Preocupada com a Demi. A Tia Di voltou ontem. — Mandy assentiu.
— Patrick não está em casa? — ela perguntou observando enquanto Selena sentava-se na cadeira de frente para ela. Sel assentiu, bebericando o leite.
— E eu até fico mais calma por isso, mãe. Mas o tio Patrick ama a tia Di, por mais que ele ame a Demi e a Maddie também. E imagino o quão complicado deve ser para ele. Você sabe. Ver o que ela faz com a Demi em relação à Maddie. — bebeu mais um pouco do leite antes de voltar a falar — Ainda não sei por que esse tratamento não funciona com ela — colocou os cotovelos na mesa, apoiando o rosto nas mãos.
— Cada pessoa reage de uma forma, Selena. — Sel deu de ombros — Eles demoraram muito para perceber que a Dianna estava doente.
— Eu não sei se aguentaria estar no lugar dele. Não sei mesmo.
— O Patrick sempre segurou a barra. Desde que a gente tinha a sua idade e fazíamos as besteiras que graças a Deus vocês não fazem — Mandy riu e Selena acompanhou a mãe — É normal que a Demi seja tão parecida com ele nesse aspecto. — Selena assentiu, terminando o leite e se levantando. Levou o copo até a pia. — Nick ligou. Pediu para avisar que teve que passar o final de semana com a mãe.
— Tudo bem. Ele comentou que talvez tivesse que viajar. — Mandy assentiu enquanto a filha lavava o copo.
— Gosto dele sabia? — Selena se virou sorrindo para mãe. Ela fez careta logo depois disso. — De verdade. Gosto do jeito como ele te trata. Denise deve se orgulhar dos filhos. Garotos como eles hoje em dia é difícil e ela tem três embaixo dela na árvore genealógica.
— Mãe, você quer o que? Que eu peça o Nick em casamento? — riu — Porque depois desse discurso.
— Não estou dizendo nada. Mas eu faria muito gosto sim. — Selena riu jogando o pano de prato em Amanda.

Eram quinze para as oito quando Vanessa cruzou a porta de casa. O ar do lado de fora estava gelado e ela tremeu um pouco. Tinha colocado Logan na cama fazia 15 minutos. O passeio à tarde com ela, mais a ida a sorveteria com os pais o tinham cansado ao ponto de dormir na hora que encostou a cabeça no travesseiro. O sono veio não dando chance ao menino de pedir para ela ler alguma história. Ela se sentiu um pouco incomodada com aquilo, já que estava fazendo de tudo para adiar a hora de sair. Quanto mais tempo passasse com Logan em casa, longe de Zac, melhor.
Ela não se lembrava de quase nada do que tinha conversado com Zac. Talvez fora o nervosismo ou sabe-se lá o que. Talvez pudesse se lembrar das palavras mais tarde, ou talvez não. As únicas palavras que não saiam de sua mente eram “Eu ainda gosto de você. Nunca deixei de gostar”. E eram exatamente as palavras que por mais que ela fingisse não mexer com ela, estavam a fazendo entrar no carro e dirigir a praça perto da escola. Por mais que negasse, qualquer pessoa que a analisasse em relação à Zac com um pouco mais de calma logo notaria que ela ainda o amava com todas as forças possíveis. As lembranças a invadiram quando atravessou a rua atrás da escola, à mesma aonde ia sempre quando mais novos quando saiam das aulas. Tudo começou quando Vanessa tinha quinze anos. Zac tinha dezoito e era o último ano na escola, assim como o de sua irmã. Lily era uma típica adolescente. Na época era líder do grêmio, e Vanessa se lembrava de que passava as noites estudando.
Aquele seria o tal ano que com a saída do grupo do grêmio da escola depois de seis anos, teriam de renovar os títulos. Ashley queria entrar na disputa se aproximando de Lily e se tornando amiga da mesma. Desde aquela época ela era obrigada a andar com Ashley e foi pouco tempo depois que conheceu Demi. Sempre que tinham as reuniões do grupo, na lanchonete atrás da escola, ela ia com Ashley e Selena, que na época já morava em Saint Augustine. Foi nessas saídas em grupos que Van acabou por namorar com Zac que fazia parte do grêmio porque aquilo tinha peso quando fosse entrar em uma Universidade.
Na época não era o que podia se chamar de um ótimo garoto, mas ela realmente não sabia que um dia ele poderia tornar o que tinha virado nos dias de hoje. Depois de seis meses de namoro, Ashley descobriu que Lily gostava do namorado da irmã. Disse que iria a ajudar em relação àquilo se ela a ajudasse a entrar no grêmio. O final da história era a que todos já sabem: Zac se relacionou com Lily, Vanessa terminou com ele, Zac e Lily tiveram um filho e o abandonaram com a família delas. Van não sabia o que tinha acontecido com a irmã para ter aceitado trair ela e muito menos pelo comportamento que adotou durante o tempo antes de engravidar. Elas eram como unha e carne.
Ela parou o carro assim que chegou. Observou a lanchonete, e as lembranças vieram como socos no estomago. Ela decidiu ficar mais um tempo ali antes de decidir entrar.

Lily entrou no lugarzinho que vivia com as amigas no tempo do Ensino Médio. Não tinha mudado muita coisa, e as paredes brancas e os pisos marrons continuam, como há quatro anos. Tinha algumas pessoas sentadas por ali, e ela sabia exatamente o porquê dele ter escolhido tal lugar para conversar com Van. Se até ela mesma era invadida pelas lembranças dali, como Vanessa, sempre tão frágil, não iria se deixar levar?
Ela deu uma rápida olhada pelo lugar, antes de ver Zac sentado numa pequena mesa em um dos cantos. Ele tinha as mãos em cima da mesa e as segurava uma a outra. Os cabelos loiros estavam espalhados como de costume, mas ela havia notado algo de diferentes neles.
Lily por um mísero segundo se sentiu mal por atrapalhar a vida da irmã, mas se uma coisa que tinha aprendido, é que durante a vida, se você não luta pelas coisas que quer e acredita você nunca irá tê-la. Nada vem de graça, e ela já tivera diversas experiências daquilo.
Caminhou até a mesa e parou atrás da cadeira contrária a qual ele estava sentado. Zac confundiu os perfumes e acreditou ser Van. Deixou claro em sua expressão que ter Lily ali era a última coisa que esperava. Os cabelos enrolados e cheios estavam acompanhados de calças jeans, blusa branca e a inseparável jaqueta preta de couro. Ela deixou um sorriso triunfante e até um pouco zombeteiro brincar nos lábios.
— Opa! Acho que não era eu que você estava esperando, não é? — ela sorriu largamente.
— O que está fazendo aqui? — resmungou entre dentes a fuzilando com os olhos.
— Vim ver meu amorzinho, oras. — ela continuava com o sorriso de deboche no rosto, o que aumentava a raiva de Zac cada vez mais.
— Sai, Lily. — reclamou.
— Poxa, a gente tem tanta coisa para conversar. — fez bico e logo depois riu.
— Sua mãe não lhe ensinou que não devemos ir onde não somos bem vindos? — dessa vez ele riu com deboche, sabendo que tinha conseguido pegar em algum ponto fraco dela.
— Por que quer que eu saia? Está esperando alguém? — Ela não deixou se demonstrar afetada. Lily sentou-se a frente de Zac que revirou os olhos. Pôs os cotovelos apoiados na mesa e segurou o rosto com as mãos. Sorriu. — Deve ser alguém importante, você até tomou banho. — ela riu vendo a feição de Zac de raiva para nervosismo. Vanessa poderia chegar a qualquer momento. — Ah, vai lá, acho que ela merecia coisa melhor, né não? Esse lugar fede a alunos do colegial.
— Não te interessa. O que quer aqui? — ele perguntou baixo. — Disse para não me infernizar.
— É a Vanessa. Não é, Zac? — perguntou, ele encarou a mesa segurando-se para não perder o controle — Fala, Zachary! — gritou batendo na mesa, chamando a atenção das outras pessoas que estavam ali.
— Para de gritar, Lily. — pediu baixo.
— Não paro de gritar até me falar o que veio fazer aqui. — Zac expirou pela boca, cansado. Levantou e a puxou pelo braço.
— Me solta ou eu grito mais. — ela ameaçou, ele soltou o braço dela, parando para olhá-la.
— A gente pode conversar lá fora? — Lily pensou em fazer piada, mas por fim apenas assentiu. Zac foi até a porta da lanchonete sem se virar para ver se ela o seguia. Assim que saiu escutou o som das botas de Lily descendo as escadas logo depois dele. Ele se virou para ela, ficando de costas para rua. Pôs as mãos nos bolsos e esperou ela falar. — Não tenho tanto tempo assim Hudgens.
— Como se sente por saber que a garota que você magoou para o resto da vida, carrega o mesmo sobrenome da que você engravidou? — ela cuspiu de uma vez. Zac a encarou sem reação. Era exatamente o que ele tinha feito, mas ninguém nunca tinha jogado essas palavras na cara dele. — Não responde. — ela riu fraco — Você acha que ela ainda sente alguma coisa por você? Você estragou a adolescência dela Zachary, você a trocou pela irmã. E como se isso não bastasse você ainda largou com ela uma criança que ela não tinha obrigação nenhuma de cuidar.
— Você fala isso como se só eu tivesse culpa, não é Lily? Você a traiu primeiro, você também largou o seu filho com ela. — disse.
 Nosso filho. — o corrigiu — E você não tem noção do quanto eu me arrependo de ter feito isso.
— Oh coitada, ela se arrepende de ter feito a irmãzinha dela sofrer. Poupe-me Lily. — eles ficaram em silêncio por algum tempo, e Lily tremeu quando um vento passou por ali.
— O que aconteceu com você? Você não era assim no colégio. — falou baixo.
— A mesma coisa que aconteceu com você — disse — E não venha bancar a vítima Lily. Foi você que foi atrás de mim. Foi você que me separou da Vanessa. Eu nunca deixei de gostar dela.
— Se você gostasse mesmo dela como diz, não tinha a largado. — respondeu — Até hoje não sei o que ela viu em você. Muito menos o que eu vi. — riu com raiva — Mas é como dizem não é? A gente não manda no coração. — Zac gargalhou.
— Por favor, Lily, você não vai conseguir me comprar com esse showzinho. Deixa de ser ridícula. Por que voltou de repente? É dinheiro que você quer? — riu de novo.
— Eu voltei por você e pelo Logan. — Zac riu.
— Tá, já teve seus cinco minutos de fama. Pode ir embora.
— Você acha que eu iria abandonar uma criança se eu não amasse você? Eu larguei minha família, minha vida aqui, tudo por você. — ela sentiu lágrimas surgirem em seus olhos.
— Lily... —ela o cortou.
— Cala a boca! — gritou — Você estragou minha vida. Fez eu me afastar de todo mundo que me queria bem para fugir com você. E eu ainda te amo. E você não imagina o quanto eu me odeio por isso. — E antes que os dois pudessem pensar em alguma coisa, Lily o beijou. Zac ficou surpreso com o que ela fez, mas acabou correspondendo. O beijo foi urgente e desesperado. Sabiam que os dois queriam aquilo. 
O que eles não sabiam, era que alguém tinha presenciado parte da cena do outro lado da rua.

E aí, galerinha? Tudo suave?
Eu não tenho muito o que dizer, só que esses dias eu fiz um banner bonitinho e provavelmente amanhã à noite eu vou trocar todo o layout do blog.
Nós temos algumas coisas escritas pros próximos capítulos, então é só questão de vocês comentarem mesmo (sem pressão q), só 5 pessoas comentaram no último capítulo e nós estávamos esperando mais alguns pra postar, mas enfim. >>>>>Respostas 52
É isso aí, divirtam-se, estudem, não quero ninguém de recuperação u.u

Abraços <3
Duda

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Chapter 52

As feridas do amor só podem ser curadas por aquele que as fez.


Era sábado e o tempo estava agradável. Os pais de Vanessa tinham saído para fazer compras, deixando-a sozinha com Logan. Aquilo já tinha virado rotina, e eles realmente o tratavam como se fosse filho de Van. Vanessa estava com os cabelos enrolados naturalmente, presos de um jeito mais relaxado e usava short jeans e camiseta leve. Hoje não era dia de escola e ela não precisaria se preocupar com Chelsea a enchendo sobre como se arrumar. Depois de ver TV e passar parte do dia brincando no tapete de casa com legos, junto com Logan, ela resolveu o levar para andar um pouco no parque.
 Foram aos fundos da casa, pegando as bicicletas e depois de colocar o capacete em Logan eles saíram. Vanessa tinha sempre o cuidado de manter Logan ou ao seu lado ou a frente, nunca atrás, não queria perder o menino de vista. Quando chegaram ao parque, prenderam as bicicletas no suporte público e foram se sentar num banco que tinha ali. Era sob a sombra das árvores e dava para ver as pessoas que corriam e andavam de bicicleta naquela parte.
– Mana? – o menininho a chamou, a fazendo olhar para ele – Compra um sorvete? – Logan perguntou se levantando e parando na frente dela. Ele sorriu e ela notou o quanto seus olhos estavam azuis naquele dia.
– Não sei se tem alguém vendendo sorvete por aqui – ela encarou o menino sorrindo fraco – A gente pode andar para ver. Você quer? – ele pareceu pensar por um minuto e assentiu sorrindo. Ela se levantou dando a mão a ele caminhando até o centro do parque. Ali o número de pessoas era maior e era provável que vendedores preferissem lugares com mais gente.
– Olha ali tem um moço – Logan disse, enquanto apontava na direção de um homem parado a sombra de um carrinho de sorvetes. Ele aparentava estar próximo dos quarenta. Ela concordou com o garotinho enquanto caminhava com ele para perto do vendedor. Quando compraram seus sorvetes foram em direção ao banco onde estavam sentados anteriormente. Foram conversando sobre os trabalhinhos da escola e sobre os desenhos favoritos do menino.
Lily observava a irmã de longe, se sentindo um pouco ridícula por há dias seguidos estar os observando. Nunca tendo coragem o suficiente para encarar Vanessa e dizer o que estava acontecendo. Onde estava a menina que teve coragem de largar o filho com a família para fugir com o idiota do namorado? Deveria ser mais audaz depois de tanto tempo, já que agora podia se considerar uma mulher e não uma garotinha.
Mas não, a coragem ia embora sempre que via que Vanessa o tratava como filho e ele correspondia. Ela queria poder sentir raiva dela, queria poder a acusar de ter roubado seu filho, mas aquilo não passava de culpa dela mesma. Fora ela que abandonou Logan, não foi?     
 Talvez pudesse ter conversado com Zac antes. Na época, tão sem juízo quanto ela, eles ainda tinham os pais. Sua ideia era viver o resto de sua juventude com Zac.
Os primeiros meses até foram legais. Mudaram-se para uma cidade não tão longe de Saint Augustine: Middleburg. Conseguiram começar um vida ali, mas quando notaram que nada seria tão fácil como pensaram Zac começou a andar com os antigos amigos do colégio e Lily não aguentou as bebedeiras e as farras que ele se metia. Um dia chegou às duas horas. Outro às quatro. Teve o dia que chegou as sete, mas que acabou dormindo do lado de fora já que não conseguiu sequer colocar a chave na porta. E teve o dia que ele dormiu num pub qualquer onde tinha enchido a cara com Sterling. Ela se lembrava de perfeitamente do loiro carregando Zac para dentro de casa enquanto ela os observava do sofá. Um tão bêbado quanto o outro, e ela se perguntava até hoje como Sterling tinha chego a casa vivo. Fora nesse dia que ela simplesmente jogou tudo para o alto, juntou suas coisas e pegou o primeiro táxi que passou a rua indo até Gainesville, que ficava a uma hora e meia dali, de carro.
Talvez se tivessem ficado com o filho para criar, hoje estivessem juntos. Talvez tudo o que tinha lhes faltado era um pouco de responsabilidade. Ela sabia que as coisas estariam diferentes. Bem diferentes. Ela sorriu, com lágrimas nos olhos quando viu Vanessa segurando ele no colo enquanto ele sorriu com o rosto sujo de picolé. Ela tentou limpar seu rosto e ele riu tentando lamber as bochechas. Ela queria estar ali. Ela sentia tanta inveja daquilo. Lily se perguntava como a irmã conseguia acordar todo dia, olhar para o filho do cara que era seu ex-namorado, com a própria irmã e ainda assim amar ele. Conseguir cuidar dele como se fosse dela. Ela acabou por desistir de ficar olhando aquilo, não poderia deixar os sentimentos de compaixão a Vanessa falarem mais alto, ela queria seu filho. Ninguém iria a fazer desistir. Nem mesmo Vanessa. Foi quando a cena voltou a chamar sua atenção. Não podia ser. Era o Zac mesmo? O que ele estava fazendo? Lily se escondeu atrás da árvore quando Vanessa para desviar do olhar do dele, virou o rosto na sua direção. Logan estava sentado no banco, e observou a cena sem entender aquilo. Ele fuzilava Zac com os olhos quando percebeu que Vanessa estava ficando nervosa.
– Você quer o que? – ela resmungou tentando não chamar a atenção de Logan. Em vão já que ele assistia a cena e escutava tudo o que falavam.
– Van nós temos que conversar, você... – ela o interrompeu.
– Cala a sua boca Zac. – resmungou em meio aos dentes, com os olhos semicerrados – O que você quer? – perguntou de novo.
– Eu ainda gosto de você. Nunca deixei de gostar. E eu sinto muito por tudo o que eu fiz.
– Não sinta. A única coisa decente que você fez na minha vida foi o Logan. Agora dá licença. – ela fez menção de se virar para ir segurar a mão de Logan e sair o mais rápido possível dali. Mas ele segurou seu braço a virando. – Me solta. – falou encarando a mão dele em seu braço.
– Nessa... – disse, a voz expressava dor.
– Não me chama de Nessa. – disse.
– Você gostava. – ele sorriu de forma carinhosa. Quase que ela caiu.
– Antes de você me trair. Com a minha irmã. – respondeu para ele.
– Olha, eu sei que o carinha ali me odeia então vou tentar ser rápido antes ele me chute na canela de novo. – respirou – Eu realmente gosto de você. E nunca falei tão sério na minha vida. O lance com a Lily foi passageiro e...
– Vocês têm um filho juntos. – disse incrédula – Não tem nada de passageiro nisso, Zachary.
– Por favor. A gente pode se encontrar mais tarde? Me dá só mais uma chance. É a última. – implorou. Ou pelo menos pareceu.
– Ok. – ela disse por fim suspirando pesadamente.
– Pode ser as vinte de hoje? Na lanchonete que a gente costumava ir...
– Não pense que entrar naquele lugar vai me fazer mudar de ideia quanto a você. – ele assentiu. Então o momento de se despedir chegou nenhum dos dois sabia como fazer aquilo. Ele beijou rápido a bochecha de Van, e sorriu por ela não ter se afastado. Mas havia a dúvida, se ela tinha ficado porque queria, ou se fora algo que não esperava. Ele coçou a nuca antes de ir. Ela sentiu seus olhos marejados, mas fez de tudo para prender o choro quando sentiu Logan puxar sua blusa.
– O que aquele bobo queria? – ele ainda tinha a expressão fechada.

– Nada demais meu amor. Ele só queria conversar. – ela deu a mão a ele que assentiu. Caminharam até o outro lado do parque, pegaram as bicicletas e foram para casa. O resto do dia seria longo.

Oi meus amores! Como vão? q
Eu estou bem, só cansada de tanto estudar (arg). Bem, a Duda já disse que mudamos a forma de escrever e blá blá blá, porque assim é melhor para a gente e acho que para vocês também. 
Então, já dissemos que só vamos postar com 7 comentários, né? Vai continuar assim, só que agora só vamos contar os comentários com conta. Não que vocês não possam comentar em anônimo, mas é só um jeito da gente conseguir saber como ta o andamento do blog. 
Mesmo não respondendo os comentários (super falta de tempo mesmo) nós lemos todos eles e agradecemos muito a todas vocês <3.
E gente, fiquem calmas em relação a Demi contar da Maddie ao Joe. Tudo tem seu tempo ok? Vão acontecer algumas coisas ainda, mas logo logo ele vai ficar sabendo. 
Comentem o que acharam, e nos deem sugestões. Espero que gostem <3

Sejam estrelinhas 
Polly.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Chapter 51

O amor não começa e termina do modo que pensamos. 
O amor é uma batalha, o amor é uma guerra; 
O amor é crescimento contínuo. 

         Eles me encararam por algum tempo. Eu não sabia muito bem o que fazer, então apenas encarei de volta, até que Maddie desceu do sofá e veio até mim. Dei um sorriso fraco direcionado à minha mãe, peguei a mão de Maddie e subimos até o meu quarto em silêncio. Tranquei a porta e deixei Maddie vendo um desenho na TV.
– Viu, foi tudo bem. – beijei o topo da sua cabeça e fui me sentar à mesa do computador, para terminar uma tarefa. Ela assentiu e olhou para mim sorrindo um pouco, depois se jogou nos travesseiros da cama, voltando a prestar atenção na TV.
Comecei a fazer meu trabalho como se tudo estivesse exatamente igual antes e como se não houvesse amanhã. Uns minutos depois, ouvi uma música de encerramento vinda da TV e me virei para olhar Maddie, que tinha caído no sono toda torta na cama. Levantei-me e arrumei-a sob as cobertas. Quando ia voltar a sentar na cama, ouvi uma batida na porta e fui abrir, um pouco receosa.
– Sou eu, Demi. – ouvi a voz do meu pai e relaxei um pouco.
– Oi. – respondi abrindo a porta e colocando a cabeça para o corredor. Só nós dois estávamos ali, nenhum sinal de Dianna.
– Você pode me deixar entrar? – ele perguntou e riu baixo em seguida.
– A Maddie tá dormindo. – encolhi os ombros e ele assentiu.
– Eu vou sair com a sua mãe, vamos a um shopping e depois na casa de um casal de amigos. Se precisar de alguma coisa é só ligar. – assenti e ele já ia saindo quando o chamei de volta.
– Pai... – ele virou para me encarar. – Ela tá bem dessa vez? – olhei para o chão e ele suspirou.
– Ela tá melhor. Acho que sim, mas é melhor não confiar muito. Essas coisas levam tempo. – ele se aproximou e beijou o topo da minha cabeça. – Se cuidem, eu ligo assim que sairmos de lá.
 Ele começou a caminhar pelo corredor então fechei a porta.
 Me perguntava se os amigos dos meus pais sabiam sobre Maddie e se perguntavam onde deixavam ela quando saíam assim. Eles tinham vários amigos, por conta do trabalho do meu pai, mas eu conhecia pouquíssimos e duvidava que eles soubessem da minha existência.
 Lancei um olhar para o computador, com vontade nenhuma de terminar meu trabalho de sociologia. Então, minha estante de livros me chamou e eu peguei o primeiro livro que vi pela frente, há tanto tempo eu não sentava para ler.
Me aconcheguei nos travesseiros ao lado de Madison na cama, tentando não acordá-la, e abri o livro no primeiro capítulo. Só fui parar de ler uns 8 capítulos depois, quando a pequena ao meu lado começou a se mexer e abriu os olhos.
– Oi. – coloquei o livro de lado e arrumei uns fios de cabelo que caíam no seu rosto. Ela sorriu sonolenta para mim.
– Chama o JJ para me ver? Eu sonhei com ele. – coçou os olhinhos com as mãos fechadas em punhos e eu pensei se aquilo era uma boa ideia ou não. Meus pais não estavam em casa, eu tinha que superar a coisa toda com Joe e Madison tinha todo direito de interagir com seu pai (é, mais ou menos), por que não?
– Eu vou ligar para ele. – ela me olhou sorrindo. – Mas primeiro você tem que lavar esse rostinho, vem. – a peguei no colo e a levei até a pia do meu banheiro, sentei ela sobre a bancada e passei água no seu rosto. Era uma coisa que ela podia fazer sozinha, eu sei, mas eu não queria aceitar que Maddie estava crescendo e já podia fazer essas coisas pequenas sozinha. – Prontinho. – beijei a ponta do seu nariz e a coloquei no chão.
Arrumei minha cama, desliguei meu computador e tentei deixar tudo pelo menos apresentável. Sentei na cama para ligar para Joe e Mad sentou ao meu lado.
– Deixa eu falar com ele? – piscou os olhinhos. Assenti, disquei o número dele, colocando no viva-voz, e entreguei o celular para Maddie.
– Alô? – ele respondeu do outro lado.
– Oi, JJ. – ela sorria encarando o telefone, fui obrigada a sorrir junto.
– Oi, pequena! Aconteceu alguma coisa?
– Queria que você viesse aqui em casa. Ganhei um filme bem legal de princesa, mas se você não quiser ver de princesa a gente pode ver do Toy Story. – Maddie falou rápido e Joe riu.
– Eu não sei se posso ir, tenho que falar com a Demi primeiro.
– Ela tá te ouvindo. – e jogou o telefone no meu colo. Peguei rápido e tirei do viva-voz.
– Oi, Joe.
– Tem algum problema eu ir aí? Sua mãe voltou? A Maddie não tá ouvindo, né? – foi minha vez de rir com tantas perguntas.
– Você pode vir. Sim, ela voltou mas tá tudo bem. E não, ela não tá.
– Tá certo, eu saio daqui a pouco. Preciso levar alguma coisa?
– Não precisa.
– Tá bom.
 Nos despedimos e eu desliguei o celular, Madison me olhava atenta, esperando eu falar qualquer coisa. Levantei ainda em silêncio, brincando, e fui até minha cômoda, ela veio atrás de mim.
– Demi? Ele vai vir? – puxou minha camiseta, os olhinhos atentos. Ela gostava meeeeeesmo da companhia de Joe.
– Não tenho certeza se você merece. – disse brincando e ela ficou tensa. – O que foi?
– Nada. – ela balançou a cabeça. – Ele vai vir?
– Vai, sim. O que acha de trocar de roupa? Essa roupinha da escola deve estar fedida. – abanei o ar e ela riu. – Vai lá para o seu quarto, já procuro uma roupa para você.
Ela concordou e eu ouvi seus passinhos pelo piso até o cômodo ao lado. Me vesti com um short que ia até metade da coxa e uma camiseta antiga que eu tinha, antes de engravidar, já que ia brincar com Maddie e ficar em casa, não havia nada mais confortável.
Desci rapidinho até a cozinha, coloquei uma pizza, que estava no congelador, no forno para comermos de lanche.
 Depois fui até o quarto de Madison, ela arrumava alguns dos seus brinquedos que estavam em uma prateleira. Peguei uma calça de pijama azul e uma camiseta branca com algumas folhas coloridas desenhadas nela. A coloquei sobre a cama e a ajudei a se trocar. Beijei sua cicatriz, como fazia às vezes quando percebia que ela ficava encarando, e disse que estava linda. Ela sorriu e me abraçou, pedindo colo.
 Passei pelo meu quarto, peguei um cobertor e desci para esperar Joe. Maddie estava quieta demais para o meu gosto.
– Você tá com fome? – ela negou, enquanto ia até a televisão e ligava ela com o dedinho. Larguei o cobertor sobre o encosto do sofá. – Madison, vem aqui rapidinho. – ela me olhou apreensiva e ficou no mesmo lugar. – Você sabe que eu não brigo com você, vem cá. – eu sabia que ela tinha ficado meio tensa quando disse que não tinha certeza se ela merecia que o Joe viesse e ia tirar aquilo a limpo. Me sentei no sofá, ela veio e se sentou no meu colo. – Tem alguma coisa para me falar? – ela negou com a cabeça e olhou para baixo. – Madison, tem alguma coisa que você queira me falar? – minha voz soou mais firme.
– Não, Demi.
– Você não fez nada errado?
– Não. – ela respondeu sincera e voltou a me olhar. Beijei sua bochecha.
– Tudo bem, então. Confio em você.
Sentei ao lado de Mad no sofá por uns bons dez minutos, até a campainha tocar e ela levantar correndo, fazendo questão de abrir a porta para Joe. Assim que ele a viu, a pegou no colo e beijou sua testa, fechou a porta com a perna e se virou para mim com um sorriso. Eu já tinha me levantado, então fui até ele e beijei sua bochecha, como uma pessoa madura e crescida que sabe viver perto de um ex-namorado faria.
 Perguntei se estava tudo bem, ele fez o mesmo e largou a bolsa transversal que carregava nos pés de um sofá. Nos sentamos um pouco afastados no sofá menor, Joe ainda com Maddie no colo.
– Você quer ver o filme das princesas ou Toy Story? – Maddie perguntou a Joe.
– Hum... Vou deixar você escolher. – ele sorriu. – Qual você quer ver?
– Eu quero ver o das princesas, mas se você não quiser ver tudo bem, eu gosto do outro.
– Se você quer ver o das princesas, vamos ver o das princesas! – ele bateu o dedo no nariz dela e ela riu.
– Tá, eu vou lá buscar. – ela pulou do colo de Joe e foi correndo escada acima.
– Você estava fazendo alguma coisa antes? Se sim, desculpa, mas ela pediu para te chamar e é impossível não realizar os pedidos da rainha Madison. – virei para encarar Joe e ele riu.
– Não, eu estava ajudando meu pai a pintar lá em casa. Quando eu vi você ligando foi quando percebi que a salvação estava chegando. – ele disse brincando e eu ri.
– Estava pensando, eu nunca mais vi o Paul. Ele tá bem? – me lembrei que desde que Joe tinha saído de NJ e seus pais se separado, eu nunca mais falara com o seu pai, ele sempre mostrou gostar de mim e eu sempre me dei bem com ele.
– Firme e forte. – Joe sorriu fraco e virou para a frente por algum tempo. Em uma das prateleiras havia uma foto minha com meus pais e Maddie, Joe parecia observar ela.
– O último aniversário que meu pai comemorou. – ele virou para me fitar. – Foi no final do ano passado.
Na foto, meu pai estava no centro, um braço segurando Maddie, que sorria feliz para a câmera. Do seu lado direito eu e no esquerdo minha mãe. Nós duas tínhamos praticamente a mesma altura e mal passávamos dos ombros do meu pai. Todo mundo parecia bem feliz na foto. A gente tinha que deixar os problemas de lado, principalmente em festas onde havia outras pessoas.
– Você disse que ela voltou hoje, tá tudo bem? – ele perguntou e eu dei de ombros. Acho que estava. – Imagino que lembre do que eu lhe pedi.
– Pode deixar, não vou ficar sozinha com ela, muito menos deixar a Maddie. – sorri, o observando discretamente. Ele usava uma camiseta simples e escura e jeans, os mesmos jeans de sempre. E, incrivelmente, ele sempre estava lindo. – Já volto. – me levantei e comecei a caminhar em direção à cozinha.
– Demi... – Joe me chamou, parecendo se lembrar de algo, e eu virei para olhá-lo. – Queria te mostrar uma coisa que a Maddie me entregou hoje de manhã.
– O que é? – perguntei confusa e me aproximei dele. Ele abriu a bolsa que estava no chão e tirou um papel do bolso da frente. Quando ele me entregou, percebi que se tratava de uma foto e não de um papel. – Ela me deu hoje antes da aula, disse que queria que ficasse comigo. Já que você não falou nada, imaginei que não soubesse que ela pegou.
Virei o objeto e percebi que era do meu aniversário. O dia que eles se conheceram e Joe e eu nos reencontramos. Onde ela pegou isso?
– Eu... Vou falar com ela. Se ela te deu é porque quer que fique com você. – estendi a foto para Joe. – Pode ficar. Eu tenho cópia no computador.
– Ela pediu para você? – Joseph perguntou pegando a foto da minha mão.
– Na verdade, não. Nem sei como ela conseguiu essa foto, mas vou falar com ela. – ouvimos passinhos nas escadas e nos viramos para olhar. Maddie descia com uma pilha de DVDs, correndo.
– Cuidado com os degraus. – peguei as caixas da mão dela, larguei sobre a mesa de centro e a peguei no colo. – Quero falar com você, o Joe me mostrou isso aqui. – ele me entregou a fotografia, os olhinhos dela se arregalaram e ela encarou Joe. – Onde você pegou?
– Desculpa, Demi. – sua voz tremeu, ela tinha tanto medo de que eu brigasse feio com ela, coisa que eu nunca ia fazer.
– Só responde minhas perguntas, tá? – minha voz ficou mais suave.
– Peguei no seu quarto, na gavetinha.
– Quando?
– Ontem à noite.
– Por que você deu para o Joe? – perguntei olhando nos seus olhos e ela encolheu os ombros.
– Porque eu queria que ele tivesse uma foto nossa, ué. – a sinceridade da criança às vezes doía em mim.
– Você devia ter pedido para a Demi se podia pegar a foto, Maddie. – Joe ficou em pé ao meu lado. – Não é legal pegar as coisas sem pedir.
– Eu achei que ela não ia deixar. O JJ vai poder ficar com a foto? – ela olhou para Joe e depois para mim.
– Vai, mas da próxima vez você pede se pode pegar alguma coisa. Promete? – estiquei meu mindinho para ela e ela sorriu, entrelaçando o dela com o meu.
– Promete para mim também? – Joe esticou seu dedinho e Maddie fez a mesma coisa, rindo quando recebeu um beijo dele na cabeça.
– Prometo, não vou mais mexer sem pedir.
Coloquei-a no chão e fui até a cozinha. Peguei a pizza, a cortei em pedaços menores, peguei um pouco de refrigerante para cada um e voltei para a sala. Joe tinha colocado o filme e os dois se ajeitavam no sofá, Maddie se apoiava em Joe, que estava à sua direita. Coloquei tudo sobre a mesa de centro e me sentei do outro lado de Maddie.
Arrumei os pezinhos de Maddie sobre o meu colo e depois o edredom que cobria nós três. O filme que ela queria ver tinha acabado –  ela pegou no sono só no final! – e Joe procurava algum filme nos canais pagos, algo que não fosse nem sangrento demais nem meloso demais.
– Eu perguntei para ela se ela tinha feito algo errado antes e ela me disse, com toda a sinceridade, que não. Ela não fez nada errado afinal, só te deu uma foto nossa. – sorri encarando meus pés, que escapavam da coberta.
– Isso foi algum tipo de sarcasmo ou? – ele brincou.
– Não, é sério. – ri. – Na cabecinha dela, ela só queria te entregar a foto, não importa como conseguisse ela. Por isso ela disse que não fez nada de errado, só lhe entregou a foto que tanto queria. Nem consigo ficar brava com ela por mexer nas minhas coisas.
– Acho lindo o jeito que você lida com ela. – ele me olhou e sorriu, o encarei e sorri de volta.
– Obrigada.
– Você acha que um dia a gente volta a dar certo? – ele perguntou de repente. – A Maddie parece sempre trazer a gente de volta. Foi, um pouco, por ela que eu aceitei que tentássemos ser amigos, por ela que a gente tá aqui hoje.
– Eu estaria mentindo se dissesse que não acho, Joe. Só dê tempo ao tempo.
E aí, baixinhos? q
Tudo bem com vocês? Como vão? Tudo suave? Não tenho muito o que dizer hoje, só que nós já estamos com o próximo capítulo pronto e a data que nós vamos postá-lo depende dos comentários de vocês, como esse que tava pronto há mais de um mês q
Outra coisa, como é óbvio, nós mudamos o jeito como a fic é escrita, usando travessão, etc., porque acho que fica mais claro e fácil de entender. Nós estamos escrevendo nossas fics assim há um tempo já e nos acostumamos, nos digam o que acharam.
Hum, espero que gostem e comentem ^^
Abraços,
Duda <3